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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Adolescente que morreu durante voo sonhava em visitar a Disney

Fonte G1 Paulo Toledo Piza
Viagem foi presente de aniversário para Jacqueline Ruas, de 15 anos. Morte ocorreu neste domingo, antes de o avião pousar em Guarulhos.
Entre uma festa de debutante e uma estada na Disney, em Orlando, nos Estados Unidos, a estudante Jacqueline Ruas, de 15 anos, escolheu a segunda opção como presente de aniversário. A jovem, que morreu no domingo (2), durante o voo de volta a Guarulhos, na Grande São Paulo, teve um de seus maiores sonhos -visitar o parque- realizado há duas semanas.

Jacqueline se divertiu nos brinquedos do parque. Diariamente, conversava com a mãe via rádio e passava as novidades. “Ela estava muito feliz. Disse que tinha comprado presente para todo mundo”, comentou a professora Helena Ruas, 58 anos, tia-avó da adolescente. “Ela realizou um sonho. Um sonho que virou um pesadelo”, acrescentou.

Já nos últimos dias, Jacqueline passou mal e vomitou. Com febre, foi medicada em Orlando. “Tiraram chapa, fizeram exames e não constataram nada de mais”, afirmou o aposentado Dagoberto Ruas, tio-avô de Jacqueline.
"Ela chegou a ligar abalada porque tinha vomitado”, lembrou Magda da Paz Santos, de 39 anos, consultora e tia da adolescente. “Pensamos que fosse manha de menina de 15 anos.”
Ainda segundo Magda, médicos norte-americanos medicaram preventivamente a garota com tamiflu, antiviral utilizado no combate à nova gripe. Por conta do quadro de saúde constatado, ela foi liberada pela equipe que a atendeu. Antes de embarcar para o Brasil, ligou para a família. “Ontem [sábado], ela estava com a voz normal”, acrescentou a tia. Já no voo, por volta das 4h30, colegas de excursão chamaram a jovem, que não respondeu. Além do silêncio, o aspecto pálido que sua pele adquiriu chamou a atenção também da tripulação, que pediu auxílio para médicos que estivessem no avião.
Ao se voluntariar, o cirurgião Irineu Raseira Jr., 41 anos, foi socorrer a jovem. “Ela já estava em parada cardiorrespiratória”, contou. Com auxílio de outro médico que estava a bordo, o oftalmologista Aníbal Fenelon, 58 anos, tentou reanimar a jovem. Assustados com a movimentação, os outros passageiros foram acalmados pela tripulação. “Levamos a garota ao fundo do avião, onde preparam os alimentos, e tentamos novamente reanimá-la”, afirmou Fenelon. Em vão. “Às 5h05, constatamos que ela estava sem pulsação, com as pupilas dilatadas e fria”, acrescentou. Ao chegar ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o corpo da jovem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade. De lá, seguiu para São Caetano do Sul, cidade onde vivia, para ser velado. O enterro está previsto para acontecer na manhã desta segunda-feira (3).

Pernambuco confirma primeira morte provocada pela nova gripe

Fonte: G1
Estudante de 17 anos estava internada em Olinda desde 20 de julho.Este é o terceiro caso de morte pelo vírus Influenza A(H1N1) no Nordeste.
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco confirmou a morte de uma adolescente de 17 anos, na manhã desta segunda-feira (3), em decorrência da nova gripe. A jovem estava internada desde 20 de julho no Hospital Prontolinda, em Olinda (PE). Este é o primeiro caso de morte pelo vírus Influenza A(H1N1) no estado e o terceiro no Nordeste.
Segundo a secretaria, a menina viajou de Belo Horizonte para passar férias em Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE), quando foi internada com os sintomas da nova gripe. Ela estava acompanhada de familiares, que são monitorados.
Na Bahia
A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab) também confirmou, nesta segunda, a primeira morte do estado em decorrência da doença. A vítima é um corretor de imóveis de 50 anos, que faleceu na terça-feira (28). Ele fez tratamento no Hospital São Rafael, em Salvador.

Segundo nota divulgada pela Sesab, o resultado do exame laboratorial apresentou resultado positivo para o vírus Influenza A(H1N1). O texto ainda aponta que o paciente era hipertenso e tinha histórico familiar de morte súbita.
A Sesab informa que esse fato isolado não significa que o vírus esteja circulando na capital. A Vigilância Epidemiológica ainda investiga a possível fonte de contaminação do paciente e está monitorando os seus familiares, com o objetivo de detectar qualquer alteração no estado de saúde.

Na Paraíba
A primeira morte em decorrência da nova gripe no Nordeste ocorreu na Paraíba e foi confirmada na semana passada. Um estudante de enfermagem, de 31 anos, morreu em João Pessoa. Ele estava internado no Hospital Universitário e apresentava problemas respiratórios.
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sábado, 20 de junho de 2009

Enfermeira relata a luta de paciente para conseguir respirar

Fonte:G1
Níveis de gás carbônico no sangue eram elevados por causa de câncer.Especialista compara problema à situação de um peixe fora d'água.
"Peixe fora d'água" pode ser uma metáfora já gasta, mas é uma boa descrição de como eu me sentia quando comecei a trabalhar como enfermeira. Eu era professora de inglês, acostumada com a conversa dos colegas na hora do café, com a segurança que eu tinha nos livros, com a certeza de que não importavam minhas falhas como professora, pois, no final, a vida de ninguém estava em risco. Depois, estava sozinha em um quarto de hospital com uma jovem que não conseguia respirar. Paciente de câncer que lutava contra uma grave infecção, ela tinha sido transferida da UTI para o meu andar, meia hora antes. Ela estava sentada na cama, ofegante e tremendo descontroladamente. Sua reserva de oxigênio estava conectada e fluindo, mas o sistema de umidificação não estava borbulhando da forma como deveria. Nesse momento, ela gemia. "Ligue!", dizia ela. "Ligue!" Eu manuseei o umidificador, mas então decidi não esperar. "Estou ligando seu oxigênio", disse a ela, puxando o tubo do sistema de umidificação e reconectando-o à reserva de oxigênio do outro lado da cama. Então, subi o oxigênio para seis litros, o máximo que pode ser entregue através das cânulas de plástico responsáveis por enviar o oxigênio às narinas.

Batimentos No entanto, o aumento repentino não trouxe alívio. Ela ainda ofegava, de boca aberta. Saí do quarto e peguei um dispositivo para medir seus batimentos cardíacos e a saturação do oxigênio em seu sangue. A medida era de apenas 80% (o normal é de 98% a 100%), e os batimentos cardíacos eram ainda mais alarmantes: 160, rápido demais para permitir que o oxigênio circule adequadamente através do corpo, e tão rápido que a pressão sanguínea pode cair perigosamente. Outra enfermeira olhou para o quarto. "Algo errado?", perguntou ela. "Chame Lisa", eu disse, referindo-me à enfermeira responsável naquele dia. Fiquei ao pé da cama da paciente como uma sentinela, observando seu pulso: 69 por segundo, depois novamente 80. Lisa chegou, carregando a maca, enquanto outra enfermeira trazia o Zoll, nosso monitor cardíaco portátil e desfibrilador. Uma terceira enfermeira olhou para o dispositivo de pulso e depois para mim. "Devemos agir", afirmou, referindo-se ao fato de que deveríamos acionar uma equipe da UTI para nos ajudar. Lisa os acionou, e acho que ouvi o anúncio de "condição C", de crítica. O que eu mais me lembro é de ter aplicado o desfibrilador, e pensado que colocá-lo numa pessoa tremendo e ofegando por ar é muito diferente de aplicá-lo num boneco de plástico na aula de ressuscitação cardiopulmonar.

Re-respirador Quando os enfermeiros e os médicos da UTI chegaram, demos à paciente metropolol intravenoso para controlar os batimentos cardíacos e a colocamos num "re-respirador", uma máscara que nos permitia entregar 15 litros de oxigênio. A saturação subiu para mais de 90, mas os batimentos cardíacos permaneceram altos e ela ainda não conseguia respirar normalmente. No final, os sintomas e os números disseram tudo, então ela voltou para a UTI, ainda ofegante por ar, a boca aberta e tensa sob a máscara. Respirar exigia tanto esforço que os músculos de seu pescoço ficaram profundos, como guelras. Descobri depois que o problema residia nos níveis de dióxido de carbono, que estavam altos demais. Os humanos geralmente liberam esse gás como parte normal da respiração, mas minha paciente não podia fazer isso, provavelmente porque o câncer cobriu seus pulmões. Nas duas semanas seguintes, ela fez mais viagens de ida e volta para a UTI. Ela parecia estável o suficiente para voltar ao andar, mas então, de repente, precisava do tipo de apoio respiratório que só a unidade de tratamento intensivo poderia oferecer. Um dia, soube que ela tinha morrido. Sem uma autópsia, é impossível dizer o motivo, mas só a devastação de seus pulmões seria mais que suficiente. "Peixe fora d'água": funciona como uma metáfora, mas ver isso na vida real? Deixei a academia para buscar a enfermagem porque queria um trabalho que tivesse sentido. Apesar de ter enfrentado dificuldades com minha mudança de carreira e as diferenças entre a vida universitária e a hospitalar, não houve um dia sequer no qual eu enfrentasse tantas dificuldades quanto a que a minha paciente enfrentou naquele dia, somente para respirar.

Theresa Brown é enfermeira especializada em oncologia.

Surtos de febre tifóide nos anos 1950 dão exemplos para nova gripe

Fonte: G1

Barron H. Lerner leciona no Centro Médico da Universidade de Columbia.Ele escreveu artigo no jornal americano "The New York Times".
Edward Schecter se recorda de escutar os médicos dizendo que ele iria morrer. Sua febre havia chegado a 41 graus. Os médicos o colocaram numa banheira cheia de gelo e então ministraram um antibiótico de último caso, cujos efeitos colaterais poderiam tê-lo matado. Antes de seu tormento acabar, ele perderia mais de dez quilos. Era agosto de 1952, e Eddie Schecter, então um frequentador de seis anos do Campo Recreativo Judeu Hi-Li, localizado na parte Far Rockaway do Queens, era o sobrevivente mais doente de uma das últimas grandes epidemias de febre tifóide da cidade de Nova York – um acontecimento que traz ecos assustadores, e úteis lições, para a atual pandemia de gripe suína H1N1.
O diagnóstico inicial de tifóide, uma doença bacterial caracterizada por febre, letargia, dores abdominais e erupções na pele, foi como um golpe de sorte. Em grande parte desconhecida, a doença estava desaparecendo da maioria das cidades americanas, naquela época vítima da melhora no saneamento. Os pais que mandavam seus filhos a campos estavam muito mais preocupados com a pólio. Naquela manhã de agosto, quando Eddie estava febril demais para ir ao campo recreativo, seus pais chamaram o médico da família, o Dr. Sidney Rothstein. Judeu polonês, sobrevivente do holocausto, Rothstein conhecia muito bem a doença de seu tempo de guerra na Europa. Ele levou pessoalmente seu paciente a um hospital e insistiu para que o garoto recebesse cloranfenicol, um controverso antibiótico que, em casos raros, causava supressão fatal da medula óssea – mas que provavelmente salvou a vida de Eddie. Assim como Eddie ficou doente, também ficaram dúzias de outros frequentadores do campo Hi-Li.
Médicos notificaram o Departamento de Saúde de Nova York, que, trabalhando com colegas de Nassau County, iniciaram uma investigação epidemiológica em 12 de agosto. A epidemia acabou infectando 51 pessoas. Era uma grande notícia, revivendo as lembranças de “Maria Tifóide” Mallon, uma cozinheira que havia disseminado a doença no início do século e levado três pessoas à morte. Funcionários salutares suspeitaram que, como Mary Mallon, alguém responsável por preparar as comidas no campo Hi-Li era portador da bactéria da febre tifóide.
Embora saudáveis, esses indivíduos abrigavam o germe em seus intestinos e podiam inadvertidamente espalhá-lo na comida por suas mãos. Em 15 de agosto, o Departamento de Saúde encontrou o culpado: uma mulher de 45 anos que trabalhava como cozinheira do Hi-Li desde 1950. Aparentemente, o departamento realizou um ótimo trabalho ao obstruir a epidemia. Eles fecharam o campo e enviaram enfermeiras às casas de todos os frequentadores doentes, administrando doses de vacina preventiva nos membros da família. Embora a taxa de mortalidade da febre tifóide chegasse a 10%, todos os pacientes sobreviveram. Ao contrário de Mary Tifóde, a cozinheira parece ter seguido o conselho dos funcionários da saúde pública e parou de trabalhar com comida. No geral, o episódio foi um precursor da agressiva – e calculada – reação que o Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York empregou na crise da gripe suína. Mesmo assim, naquela época, os funcionários não conseguiram acalmar o medo que tomou conta de Far Rockaway e das comunidades vizinhas, embora dissessem às pessoas que a doença não era disseminada casualmente.
Carol Schartz, irmã de Eddie, lembra-se de ir à casa de uma amiga para assar brownies. “Eu estava completamente saudável”, ela disse recentemente, “mas a mãe dela gritou para que eu saísse de lá”. Felizmente, alguns aspectos do atendimento da saúde mudaram desde 1952. No Hospital Meadowbrook, em Long Island, onde os médicos estabeleceram uma ala temporária de quarentena para os freqüentadores do Hi-Li, Eddie não podia ter contato direto com sua família. Seus pais podiam apenas acenar para ele, de uma janela próxima. “Os médicos chegaram a dizer que, se eu chorasse quando retirassem meu sangue, meus pais não me visitariam mais”, ele lembrou há pouco tempo. Todavia, as boas lembranças também persistiram.
Quando o rabino que administrava o campo Hi-Li convidou Eddie para retornar no verão de 1953, ele e seus pais aceitaram. Ele voltou por diversos verões depois disso, e aos 12 anos já tinha decidido a carreira que seguiria. Hoje, aos 63 anos, ele é o rabino do Templo Beth Shalom, em Hastings, Nova York. Eu sou um membro da sinagoga. “Depois daquele verão”, disse, “minha mãe sempre me dizia que eu havia sido salvo por um propósito”.

Creme para câncer de pele pode melhorar aparência de rugas, sugere estudo

Fonte: G1
Pesquisa americana registra efeito colateral mas alerta contra uso de fluorouracil com finalidade puramente cosmética.
Um creme usado para tratar lesões pré-cancerosas da pele também reverte sinais de envelhecimento, revelou estudo de cientistas americanos. Além de remover protuberâncias suspeitas de pele danificada pelo sol, a droga fluorouracil melhora a aparência de rugas, manchas escuras e olheiras.
Pacientes com ceratose actínica pré-cancerosa (manchas que se distinguem do bronzeado por só desaparecer por cirurgia ou tratamento químico) podem esperar, como efeito colateral do tratamento, ter uma pele com aparência mais jovem, de acordo com artigo escrito pelos pesquisadores na revista médica "Archives of Dermatology".
Os especialistas advertem, contudo, contra o uso da droga para finalidade exclusivamente cosmética, dizendo que ela pode causar forte reação na pele. O tratamento encoraja o organismo a produzir pele nova saudável ao danificar deliberadamente a camada mais externa da pele, assim como ocorre em peeling químico e tratamento com laser.
Testes
Em testes realizados com 21 voluntários portadores de ceratose actínica e pele danificada por exposição ao sol, os cientistas aplicaram creme com fluorouracil duas vezes ao dia por duas semanas e verificaram uma melhora significativa na pele, com a remoção de manchas pré-cancerosas e a reversão de alguns sinais de lesões causadas pelo sol.
A equipe de cientistas liderada por Dana Sachs, da Escola de Medicina da Universidade de Michigan em Ann Arbor, disse: "Sem dúvida, haverá pacientes que desejam uma terapia como a aplicação de fluorouracil para finalidades cosméticas dado o custo relativamente baixo desta terapia em comparação ao uso de laser". Sachs acrescentou que essa estratégia, contudo, "pode não conseguir o mesmo grau de melhoria" atingido com o tratamento de rugas com laser

Botox ajuda pacientes que não andam a recuperar movimentos

Fonte: G1
O botox é mais conhecido pelo uso em consultas estéticas. Mas, no uso terapêutico, pode atuar contra várias doenças e lesões.
Faz 16 anos que o sociólogo Naelson Ferreira trata uma doença neurodegenerativa. Ele toma 18 remédios por dia. “Cheguei a ficar dois anos cadeirante”, conta. Hoje ele anda, com um pouco de dificuldade. Conseguiu se levantar depois que começou a usar, há quatro anos, toxina botulínica. “Onde era rígido no meu corpo, hoje tenho uma facilidade para os movimentos”, compara.

Luis ficou tetraplégico depois que bateu a cabeça durante o mergulho em uma piscina. Com uso da toxina botulínica e muita fisioterapia, já sinalizou uma melhora. “Pacientes com lesão medular alta, chamados tetraplégicos, não deveriam ter movimentação da altura do pescoço para baixo. Seriam membros superiores e inferiores. No caso do Luis, com toxina e fisioterapia, ele consegue ter movimentação ativa de flexionar o braço”, explica o fisioterapeuta Hermenegildo Neto. Luis, Naelson e outras 400 pessoas fazem uso da toxina botulínica no Centro de Referência de Estudos do Movimento. Desde que a toxina começou a ser usada neste tipo de tratamento, no final de 2006, todos os pacientes tiveram alguma melhora. “A toxina botulínica tem como efeito o relaxamento da contratura muscular. Com isso, temos ganho de movimento e alívio de dor”, afirma o neurologista César Augusto Nicolatti.
O médico diz que as aplicações da toxina são frequentes, em um intervalo mínimo de três meses: “É um tratamento prolongado, que não tem uma definição de por quanto tempo deve ser usado”. Há sete anos, Sócrates trabalhava, tinha uma vida normal. Hoje está em uma cadeira de rodas, também por causa de uma doença neurodegenerativa. Sócrates começou a usar a toxina botulínica e já pode mostrar o resultado. Ele sabe que não é a cura, mas aos 34 anos conseguiu ter de volta um pouco do movimento do braço: “É uma reconquista”, comemora.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também aprova o uso do botox para tratamentos de estrabismo e hiper-hidrose, que é o excesso de transpiração nas mãos e nas axilas

Avaliando revistas de ciência e cientistas

Postado por Alysson Muotri -G1
O progresso na ciência é fruto da publicação de novas ideias e experimentos, na maioria das vezes em periódicos ou revistas científicas que se baseiam na revisão anônima por outros cientistas da mesma área. Existem diversas opiniões sobre quais são as revistas científicas mais influentes. Infelizmente, tem sido difícil encontrar um método métrico simples para quantificar esse impacto.
A maioria dos cientistas acaba confiando no já desgastado Fator de Impacto (FI), que é publicado virtualmente pelo portal ISI Web of Knowledge. O FI consiste na média do número de citações num determinado ano dos trabalhos científicos publicados em revistas nos dois anos prévios. Diversos fatores podem influenciar o FI, como o número total de citações ou número total de trabalhos publicados por ano.
Um recente trabalho de estatística concluiu que nenhum dos parâmetros usados atualmente reflete com clareza a influência das revistas científicas (Bollen e colegas, e-Print Archive 2009). No entanto, um novo parâmetro foi recentemente proposto, o Eigenfactor, que tenta classificar a importância das revistas de uma maneira semelhante à usada pelo algoritmo do portal de buscas do Google. Durante a busca, o Google mostra os resultados baseando-se na frequência de acesso aos links relacionados à palavra-chave utilizada. Dessa forma, classifica os links mais utilizados como os mais relevantes, colocando-os no começo da página que mostra os resultados da busca.
Na prática, o Eigenfactor tem uma correlação forte com o número de citações recebidas por uma determinada revista. Por exemplo, o gráfico ao lado mostra o Eigenfactor de 2007 das 200 revistas mais citadas, contra o número total de citações (Alan Fersht, PNAS, 2009). Para quem está acostumado com os periódicos científicos, o resultado é um tanto inusitado. Três revistas se destacam das outras como as mais influentes em ciência: “Nature”, “PNAS” e “Science”. Uma das surpresas é a “PNAS”, que publica alguns artigos sem a revisão por pares - privilégio esse restrito a membros da academia americana de ciências. Outra surpresa fica por conta da revista “Cell”, cuja reputação é respeitadíssima no meio acadêmico, e que aparece numa posição bem inferior a outros jornais tidos como de baixo impacto.
O terrível legado do FI é que ele tem sido empregado para avaliar cientistas, e não as revistas em si. Essa percepção é, a meu ver, totalmente equivocada. A avaliação de um pesquisador deve ser feita através da análise cuidadosa de sua produção científica ao longo dos anos por cientistas experientes em áreas semelhantes. Infelizmente, burocratas buscam uma fórmula métrica simples. A ênfase no FI aumenta com a falta de avaliadores competentes em determinadas áreas.
Um exemplo extremo disso acontece em alguns países europeus, que avaliam seus cientistas e a qualidade dos trabalhos dando valor zero aos trabalhos publicados em revistas com FI menor que 5 e valores acima de zero aos trabalhos publicados em revistas com FI maiores que 5. Segundo essa lógica, um trabalho publicado na revista “Journal of Molecular Biology” não vale nada, mesmo sendo essa uma das melhores revistas na área de estrutura de proteínas.
Vale lembrar que todas as revistas têm um amplo espectro de citações nos trabalhos lá publicados. Mesmo as revistas de maior FI já publicaram trabalhos que nunca foram citados, trabalhos fraudulentos e mesmo alguns que são bem ruins. Dessa forma, fica ridículo julgar um cientista baseando-se apenas no tipo de revista em que publica seus achados.
Talvez a melhor das piores maneiras métricas de se julgar a contribuição de um cientista seja pelo índice h, que classifica a influência do pesquisador levando em conta o número de citações que este recebe pelo número de trabalhos publicados. Um “h” de 100 significa que 100 trabalhos publicados foram citados pelo menos 100 vezes cada (Hirsch J., PNAS 2005). Curiosamente, o trabalho do índice “h” já teve um assombroso número de acessos pela internet comparado ao número de citações (262) desde a publicação em 2005. O sistema do índice “h” também não é perfeito. Por exemplo, uma descoberta fenomenal pode levar tempo até ser reconhecida pela comunidade científica e ficar sem receber citações por um tempo longo.
Conforme a ciência avança e se especializa cada vez mais, fica difícil fazer uma avaliação justa da produção cientifica de um pesquisador num espaço de tempo curto. Daí a tentação de usar sistemas métricos. Por isso mesmo, é importante não se basear num sistema único. Afinal de contas, ciência é sempre relacionada com progresso social que, em última instância, é um fator baseado no julgamento humano.

Um órgão de altíssima… imperfeição

Fonte: G1
Parece quase ingratidão desancar um órgão que normalmente presta tão excelentes serviços à nossa espécie, mas vamos direto ao ponto: o olho humano é, no máximo, um quebra-galho. Se tivesse sido projetado para uma feira de ciências, levaria nota 6, e olhe lá. Se fosse um novo gadget, destinado a competir com o iPhone, encalharia nas prateleiras. Apesar do seu funcionamento aparentemente azeitado, nosso olho está longe de ser perfeito, e a culpa de seus inúmeros “defeitos de fábrica” é do processo evolutivo complicado e tortuoso que o trouxe até aqui.
É irônico chegar a esse tipo de veredicto sobre nosso aparato visual, principalmente quando se considera que a suposta perfeição dele foi e continua sendo usada como argumento CONTRA a ideia de evolução por meio da seleção natural. Um órgão tão complexo e de funcionamento tão avançado, argumentam os críticos da evolução desde Darwin, jamais poderia ter sido “montado” passo a passo, mas só poderia ter sido projetado de uma vez por todas pela interferência direta de uma inteligência divina.
Deixemos de lado o fato de que o mundo pulula de criaturas com olhos bem mais simples que os nossos, as quais sobrevivem um bocado bem mesmo assim (e cujo aparato visual, aliás, pode muito bem servir de análogo para o que deu origem ao nosso, mais sofisticado). Vamos analisar apenas o design do nosso olho, esse suposto prodígio de complexidade e infalibilidade. Por que será que todos os modelos dele já saem de fábrica com um ponto cego?
GambiarraPorque o design do sistema captador de luz do nosso olho é, digamos, meio porco. A coisa toda está de ponta-cabeça, para começar. A informação luminosa vinda do ambiente externo é captada pelas células fotorreceptoras (receptoras de luz), que estão situadas na camada MAIS FUNDA da nossa retina e depois passam esses dados para o cérebro através do nervo óptico. Não seria muito mais fácil e lógico se elas estivessem no topo da retina, de maneira a captar diretamente a luz? Seria, mas a luminosidade precisa atravessar várias camadas de células nervosas e vasos sanguíneos para finalmente ser “lida”.
Pior ainda: o fato de o corpo das células fotorreceptoras estar “de costas” para a luz faz com que as fibras nervosas oriundas delas se juntem mais em cima, formando o nervo óptico, o qual precisa passar por um BURACO na retina no seu caminho rumo ao cérebro. É justamente esse buraco que forma o ponto cego na visão de vertebrados como nós – um ponto cego que precisa ser corrigido “virtualmente” pelo cérebro quando este interpreta as informações visuais captadas pelo olho.
Essa gambiarra cerebral seria totalmente desnecessária se o design do olho fosse mais “racional”. E temos exemplos vivos disso. São os cefalópodes – moluscos como o polvo e a lula, cujo olho é muito parecido com o nosso, mas cuja retina está organizada segundo boas normas de engenharia e tem as células receptoras de luz no topo, e não no fundo. Isso dispensa a necessidade de o nervo óptico abrir um rombo na retina dos polvos e das lulas.
A explicação para a diferença é uma só: trajetórias evolutivas distintas. O mais provável é que o ancestral dos vertebrados, que nos legou uma forma primitiva do que acabaria se tornando o nosso olho, fosse um bicho marinho pequeno e quase transparente, explica o médico Steven Novella, da Universidade Yale (EUA), em artigo para a revista científica de acesso livre “Evolution: Education and Outreach”.
Nas condições desse protovertebrado, a organização específica das camadas da retina pouco importava. Por isso, a ordem não muito razoável acabou se fixando nos descendentes dele, da mesma maneira que a ordem mais “lógica” se tornou o padrão entre os descendentes dos primeiros cefalópodes. O problema é que, nos dois casos, a disposição das camadas da retina virou um esquema fixo do desenvolvimento embrionário, que o organismo não mais conseguia reverter. Ora, não era possível simplesmente “demolir” tudo e recomeçar do zero. A evolução do olho teve de prosseguir usando as matérias-primas à mão, aperfeiçoando onde dava e não mexendo onde não dava, mais ou menos como quem constrói um puxadinho quando acabou o espaço da casa.
Doenças da evoluçãoPara Novella, é justamente esse modelo evolutivo do puxadinho que explica uma série de problemas de saúde ligados ao design emporcalhado da visão. Exemplo número 1: perda de acuidade visual associada à diabetes crônica, a chamada retinopatia diabética. O que ocorre é que os vasos sanguíneos que alimentam a retina ficam em cima dela. Nos casos crônicos de diabetes, ocorre uma falta de oxigenação nesses vasos. Para compensar, a retina estimula o crescimento de mais deles – o que faz com que os vasos sanguíneos simplesmente fiquem na frente da retina, atrapalhando a visão. Seria muito mais lógico que a irrigação sanguínea viesse DE TRÁS da retina. Seria, mas não é o que acontece.
Exemplo número 2: descolamento da retina, que também pode causar cegueira. Você nunca vai achar um polvo com esse problema, porque as terminações nervosas (os chamados axônios) das células fotorreceptoras desse bicho ajudam a ancorar tais células firmemente nas camadas mais profundas da retina. Já a organização invertida da retina humana deixa tais terminações “no ar”, o que pode favorecer o descolamento.
Exemplo número 3: degeneração macular, a causa mais comum de cegueira no mundo. Trata-se de uma disfunção na mácula, a região da retina onde há a concentração mais densa de células fotorreceptoras. Acontece que a mácula só existe como uma forma de compensar a organização tosca da retina: é uma pequena área que está “limpa” de nervos e vasos sanguíneos, tornando-se central para a visão. Problemas nela levam a uma perda séria da precisão visual. De novo, polvos e lulas não precisam de mácula e, portanto, não sofrem de degeneração macular.
Músculos demaisEngana-se quem pensa que a retina invertida é a única grande falha de design no olho humano, diz Novella. Ainda mais sem-vergonha é a estrutura dos músculos que governam o movimento dos olhos. Primeiro, há mais músculos do que o necessário: são seis, enquanto três bastariam para todos os movimentos possíveis do globo ocular. Pior ainda, esses seis músculos NÃO são redundantes entre si: se houver falhas em qualquer um deles, o movimento fica tão prejudicado que o resultado é uma visão dupla ou outros problemas.
Bastaria que o número de músculos fosse reduzido para que o design se tornasse mais robusto, menos sujeito a falhas – afinal, há menos peças para “quebrar” ao longo do caminho. Mas tudo indica que o nosso olho é só uma versão modificada do olho de peixes primitivos, que tinham SETE músculos oculares (os cães ainda têm esse mesmo número, o qual também já foi registrado em alguns poucos indivíduos humanos). A nossa bagagem histórica, mais uma vez, acaba pesando e causando problemas.
Eis, portanto, o paradoxo da evolução de órgãos complexos, que pode ser estendido, em maior ou menor grau, para qualquer característica humana ou animal. O “design” é sempre de baixo para cima, e nunca de cima para baixo. A reciclagem e o pão-durismo imperam: estamos falando de puxadinhos, e não do Empire State. E, no entanto, essa fraqueza é um bocado forte; do simples e do não-guiado emerge a variedade, a beleza e a adaptação a todo tipo de ambiente. De certa maneira, é uma forma de “arte” espontânea e colaborativa que já dura 4 bilhões de anos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cirurgia extrai rim pelo umbigo do paciente

Fonte: G1 e BBC
Técnica pioneira na Europa permitiu que mulher tivesse órgão extraído através de pequeno corte na barriga.
Usando uma técnica pioneira, médicos britânicos retiraram o rim de uma paciente através de um corte minúsculo em seu umbigo.
A equipe do East Surrey Hospital, em Redhill, na Inglaterra, disse que foi a primeira na Europa a usar a técnica para operar o rim e a vesícula. Quatro pacientes foram submetidos à cirurgia nos últimos 14 meses. O urologista Abhay Rane extraiu o primeiro rim em março de 2008 usando instrumentos especiais operados através do corte minúsculo. A paciente inglesa Susan White, de 30 anos, que foi submetida à operação, disse: "Eu me recuperei muito rápido". "Quando criança, tive meu rim operado e fiquei com uma cicatriz grande". "Estou satisfeita, este procedimento não deixou sinal nenhum. Faz uma grande diferença para a minha auto-confiança". Através de um minúsculo corte dentro do umbigo, os médicos inserem na barriga do paciente um porto de acesso onde são acoplados uma câmera e outros instrumentos. A barriga é inflada com dióxido de carbono para criar espaço para manobras. No caso da remoção do rim, o órgão é desconectado dos vasos e tecidos que o cercam, assim como de outros órgãos. Depois, é embrulhado em um saco plástico e retirado através do umbigo. O corte desaparece após alguns meses e a maioria dos pacientes retorna à atividade normal dentro de alguns dias. O cirurgião Rane disse que desenvolveu o método com seus colegas para limitar o impacto da operação e reduzir cicatrizes. O tempo de recuperação do paciente é reduzido a dias ao invés de semanas, acrescentou o médico. "Foi um ano muito empolgante para nós no hospital, vendo a recuperação tão rápida dos pacientes e ensinando outras pessoas em todo o mundo sobre como fazer isso."

Pessoas com Down têm menos chances de desenvolver câncer

Fonte: G1 e BBC
Pesquisa americana pode apontar novos tratamentos para a doença.
Pessoas com síndrome de Down têm menos chances de contrair câncer porque possuem cópias de genes que impedem o crescimento dos tumores, segundo um estudo publicado pela revista científica "Nature". A pesquisa da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, feita em células de camundongos e humanas, mostrou que uma terceira cópia do gene DSCR1 (também conhecido como RCAN1), presente na síndrome de Down, pode suprimir o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam tumores. Os cientistas injetaram células cancerígenas pulmonares e de pele em ratos normais e também em ratos chamados de Ts65Dn, com três cópias de vários dos genes do cromossomo humano 21, como os humanos com síndrome de Down. O estudo mostrou que, após três ou quatro semanas, os ratos Ts65Dn apresentaram cerca de 50% menos tumores do que os ratos normais. Vitamina Os pesquisadores usaram também células-tronco de humanos com Down e normais. Quando injetadas em camundongos, estas células criam tumores. Os cientistas descobriram que, quando foram usadas células-tronco normais, os tumores criaram vasos sanguíneos, mas em células com síndrome de Down, os vasos sanguíneos não se formaram completamente. Os cientistas acreditam que a descoberta pode abrir novas frentes na luta contra o câncer. A equipe liderada por Sandra Ryeom afirma estar tentando determinar as melhores formas de isolar a formação dos vasos sanguíneos, para o desenvolvimentos de terapias. Ela afirma que, desde que seja necessário apenas um gene extra para reduzir a formação dos vasos, um dia, quando a terapia estiver disponível, é possível que a forma de se combater o câncer seja "tomando uma vitamina preventiva", ao invés de se ingerir drogas tóxicas.

Cor da pele afeta o armazenamento da nicotina pelo organismo, diz estudo

Fonte: G1 e Eric Nagourney Do 'New York Times'
Quanto mais escura a pele, maior a absorção de nicotina.Estudo foi feito com poucas pessoas e é tido como "preliminar".
Um novo estudo descobriu que fumantes com pele mais escura podem ser mais afetados pela nicotina do que aqueles de pele mais clara. Pesquisadores disseram ser possível que a nicotina no tabaco se ligue à melanina, composto que dá cor à pele. Quanto mais escura a pele, maior a quantidade de melanina – e talvez mais nicotina seja armazenada. Os pesquisadores, cujo estudo aparece na publicação "Pharmacology, Biochemistry and Behavior", apontaram o pequeno número de pessoas utilizadas no estudo e disseram que as descobertas deveriam ser consideradas preliminarmente. Porém, a pesquisa pode esclarecer o porquê de algumas pessoas aparentemente serem mais afetadas pela nicotina do que outras. Para o estudo, os pesquisadores, comandados por Gary King, professor de saúde biocomportamental na Universidade Penn State, examinaram 150 fumantes afro-americanos. Eles mediram os níveis de melanina e cotinina, um subproduto da nicotina. Eles também fizeram algumas perguntas aos voluntários, para avaliar o quão forte era o hábito de fumar em cada um. Descobriu-se que as pessoas com mais melanina fumavam mais tinham mais cotinina em seu sistema, além do maior nível de dependência em tabaco, disseram os pesquisadores.

Mulheres brasileiras sofrem com desinformação sobre câncer de mama

Fonte: Luis Fernando Correia Especial para o G1
Quase metade delas ainda acha que estresse e psicologia influem.Menos de um terço faz mamografia quando o médico indica o exame.
O surto do novo tipo de vírus influenza dominou o noticiário na semana passada, com certeza um tema que preocupa a todos. Mas no dia 29 de abril entrou em vigor uma lei que obriga o Sistema Único de Saúde a oferecer o exame de mamografia às mulheres com mais de 40 anos. Infelizmente, no mesmo dia, ficamos sabendo que as mulheres brasileiras acreditam estar informadas sobre a o câncer de mama, mas a realidade é bem diferente.
Segundo uma pesquisa realizada em cinco capitais brasileiras, 47% das mulheres entrevistadas ainda relacionam a doença a problemas emocionais e estresse, contrariando as evidências científicas. O câncer de mama está relacionado a histórico de câncer de mama na família, menopausa tardia, reposição hormonal, consumo de álcool, obesidade e não ter filhos.
O oncologista Sérgio Simon, do Hospital Albert Einstein, que coordenou a pesquisa, patrocinada pelo laboratório Pfizer, demonstra a relação que as brasileiras tem o câncer de mama. Das entrevistadas, somente 29% fazem mamografia quando o médico indica o exame. A conseqüência disso é um índice de 10% de detecção precoce, na qual o tumor teria maior chance de cura, poupando as pacientes de cirurgias mutiladoras e sofrimentos maiores no tratamento.
Estima-se que cerca de 400 mil mulheres têm câncer de mama no país, e esse é o tumor maligno que mais mata no sexo feminino. O conhecimento dos fatores de risco e a realização de exames periodicamente podem diminuir o impacto dessa doença no Brasil.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN.

Caso de câncer de mama em menina de 10 anos surpreende médicos

Fonte: G1 e BBC
Mãe de americana encontrou um caroço embaixo do braço da filha no mês passado, quando a ajudava a se vestir.
Uma menina de 10 anos de idade foi diagnosticada com câncer de mama na Califórnia, nos Estados Unidos, um caso considerado extremamente raro. A mãe de Hannah Powell-Auslam encontrou um caroço embaixo do braço da filha no mês passado, quando a ajudava a se vestir. Preocupada, Carrie levou a filha ao médico, que a diagnosticou com carcinoma secretório invasivo.
No início deste mês a menina passou por uma mastectomia, cirurgia para retirada da mama. O câncer, no entanto, se espalhou para um nódulo e Hannah terá que passar por outra cirurgia, ou por tratamento de radioterapia.
Campanha A história da menina chamou a atenção da mídia e do público americanos. Os pais dela - Carrie e Jeremy - criaram um site, www.ourlittlesweetpea.com, em que descrevem diariamente a batalha contra o câncer e promovem campanhas para arrecadar fundos para o tratamento da menina. O site também é visto como uma forma de ajudar a família a passar pelo trauma.
A mãe de Hannah, Carrie, falou à imprensa americana sobre sua surpresa ao receber o diagnóstico: "Deveria ser a última coisa na sua cabeça. Meninas de 10 anos não sofrem de câncer de mama". Com a incidência do câncer, Hannah também decidiu se tornar um exemplo para que outras crianças de sua idade conversem com seus pais sobre qualquer mudança que percebam no corpo.
A família também elogia a atitude positiva que a menina vem mantendo diante da doença. Mas segundo sua mãe, tudo o que ela quer agora é voltar à escola e ser uma "criança normal".
O câncer de mama é o tipo mais comum de câncer entre as mulheres, segundo a Organização Mundial de Saúde, e a cada ano são diagnosticados mais de 1,2 milhão de casos em todo o mundo. Especialistas, no entanto, disseram à imprensa americana que a doença é extremamente rara entre as crianças e alertaram que o excesso de atenção dado ao caso pode provocar medo desnecessário entre os pais.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Grupo descobre molécula que regula células-tronco da medula óssea

Fonte: Luis Fernando Correia Especial para o G1
Pesquisa foi feita no Massachusetts General Hospital, nos EUA. Esperança é usar substância como sinalizador para cura.
Cientistas do Massachusetts General Hospital descobriram uma molécula que regula a circulação das células-tronco até a medula óssea e também influi nos processos regenerativos dos ossos. As células-tronco do sangue, ou hematopoiéticas, são responsáveis pela produção de cerca de 10 milhões de células sanguíneas a cada dia e são utilizadas no tratamento de doenças como linfomas e outras formas de câncer.
Essas células são extremamente potentes e por isso são utilizadas na regeneração da produção de células do sangue e células do sistema imune. Os pacientes que recebem um transplante de medula óssea tiveram sua fonte produtora dessas células atingidas por alguma doença ou pelo tratamento específico do câncer. Após a retirada da medula óssea, as células são introduzidas no organismo do receptor através da injeção em uma veia.
O conhecimento obtido com a pesquisa realizada em Boston permite aos médicos entender como as células que foram administradas aos pacientes viajam até os locais de implantação nos receptores. A molécula identificada está envolvida na regulação da regeneração constante dos ossos, conhecida como remodelação óssea, e é chamada de CaR. A presença dessa molécula na superfície das células facilita a entrada das células transplantadas na medula óssea.
Essa descoberta abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos que usem a molécula descrita como sinalizador, indo diretamente aonde está o problema.

Mulheres são mais resistentes a infecções do que homens, diz pesquisa

Fonte:G1
Segundo estudo, ação de hormônio feminino ajudaria a fortalecer sistema imunológico.
As mulheres são mais resistentes a infecções do que os homens graças à ação de hormônios sobre seus sistemas imunológicos, segundo afirma um estudo de pesquisadores canadenses. O estudo indicou que a produção de estrogênio pelas mulheres pode ter um efeito benéfico sobre a resposta do organismo a agentes causadores de infecções.
Segundo a pesquisa, publicada na última edição da revista especializada "Proceedings of the National Academy of Sciences", o estrogênio naturalmente produzido pelas mulheres bloqueia uma enzima chamada caspase-12. A ausência da enzima bloquearia, por sua vez, o processo inflamatório.
"Os resultados mostram que as mulheres têm uma resposta mais forte a inflamações do que os homens", comenta a coordenadora do estudo, Maya Saleh, da Faculdade de Medicina da Universidade McGill, de Montreal, no Canadá.

Gene

O estudo foi realizado com camundongos que não têm o gene responsável pela produção da enzima Caspase-12, tornando-os altamente resistentes a infecções.O gene foi então implantado em um grupo de camundongos machos e fêmeas, mas apenas os machos se tornaram mais suscetíveis a infecções.
Os pesquisadores acreditam que, por se tratar de um gene humano, os efeitos verificados nos camundongos seriam os mesmos em seres humanos.
Para Saleh, essa característica específica do sexo feminino poderia ser o resultado de uma evolução para proteger o papel reprodutivo das mulheres.
Segundo a pesquisa, hormônios sintéticos geraram resultados semelhantes ao estrogênio produzido naturalmente.
Isso poderia abrir a possibilidade do desenvolvimento de terapias especiais para fortalecer o sistema imunológico, mas pelo fato de estar ligado a um hormônio feminino, poderia impedir sua utilização por homens.